Head coach do Joinville Redlions questiona a elevada carga de jogos durante o ano

Treinador do Joinvile Redlions demonstra preocupação com os atletas no FABR. Foto Perfil/Facebook

Após a reportagem sobre o elevado número de jogos de equipes que disputam campeonatos estaduais, no primeiro semestre e o Brasil Futebol Americano (BFA), no segundo semestre, além do alto risco de exposição a lesões por parte dos atletas, o head coach do Joinville Redlions, Dennis Prants, pediu voz para tratar sobre o assunto.

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O Futebol Americano Brasil deu espaço para o treinador campeão brasileiro – pelo extinto Torneio Touchdown (TTD) –, em 2013, pelo Jaraguá Breakers.

Intrigado com a futura condição física dos jogadores pós-carreira no futebol americano, Prants alerta sobre as temeridades que os atletas poderão passar, caso os organizadores de campeonatos não repensem suas posições.

— Eu sou atleta desde meus 7 anos. Entrei em uma competição pela primeira vez com 9 anos. Vejo desde então, vários atletas de outros esportes, se aposentando com os corpos destruídos. Não existe saúde em esporte de rendimento. Se alguém entra no esporte de competição querendo melhorar a saúde, errou. Uma atividade física de baixo impacto é o recomendado para isso — disse.

A agressividade do futebol americano pode debilitar a saúde física dos jogadores em longo tempo.

— Veja bem, se um atleta, de um esporte sem contato violento como o futebol americano, chega aos quarenta anos com articulações destruídas, imagine levando pancadas absurdas, fazendo treinos de força e treinando por 11 meses por ano — alertou.

Mau condicionamento físico e despreparo dos jogadores e comissões técnica incidem em um maior número de atendimentos durante as partidas.

— Os problemas serão diferentes. Os verdadeiros atletas vão sentir problemas mais sérios em longo prazo. Os jogadores que treinam uma ou duas vezes por semana, que não vão. Ou não treinam de forma correta a parte de condicionamento físico, academia principalmente. Você vê ambulância sendo ativada mais do que devia nos jogos por causa destes caras — vociferou.

Problemas entre os calendários estaduais e nacionais dificultam o jogador para recuperar e relaxar o corpo durante a off season.

— Um atleta de futebol americano: do dia 20 de dezembro ao dia 15 de janeiro ele para. Relaxa. Tenta recuperar suas contusões. A partir janeiro até dezembro, ele fará no mínimo quatro treinos academia por semana. Treino duro. Na off season é força pura ou força relativa. Depois os treinos específicos de acordo com a sua posição. Ele irá para o campo com o time, no mínimo, três dias por semana. E se ele é atleta mesmo, um dia a mais ele fará seu trabalho individual. Inclua este cara em um estadual, depois em um nacional. Treinos pesados. Jogos duros. Viagens. Recuperação curta. É tranquilo. Não vai morrer porque faz isso. Mas, pegue este exemplo e o coloque para fazer isso por dez ou 12 anos seguidos. Você realmente acha que ele não terá nenhuma complicação mais seria no futuro? — questionou.

Diminuição do número de partidas jogadas durante a temporada, ou regras para prevenir que o mesmo jogador atue em mais campeonatos é uma proposta levantada por Prants.

— Eu tive três confissões sérias na minha carreira. Levei tanta porrada. Treinei tanto. Que hoje com 45 anos sinto dor só de respirar. Não acho que você vai querer ter apenas 45 e viver com dores o dia todo. A solução é jogar estaduais com jogadores sub 20. Estes jogam p estadual e não disputam mais nada. Nada no ano. Só treinam. E o treino é diferente para quem não vai competir. Os acima de 20 disputam só o nacional — propôs.

Sem acompanhamento adequado, jogadores podem procurar outros métodos para suportar a alta carga de treino e jogos.

— Os atletas de alto rendimento no FABR são poucos. Tire aí, no máximo, 100 ou 140 jogadores. Destes, 70% usam esteroides ou anabolizantes. O que não é ruim. É preciso. Mas 99% desses caras fazem sem acompanhamento médico. Aí é problema — apontou.

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COMMENTS

  • Fabi E David Santos

    Concordo com tudo, realmente é assim mesmo. Mas o maior absurdo é o esporte ainda ser amador… tenho medo de que aconteça algo muito grave durante um jogo, e o atleta não ter nem uma assistência… esse foi um dos motivos de eu ter me afastado do esporte

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