July 24, 2021
Thomé quer retomar o protagonismo do Vila Velha Tritões. Foto Leo Silveira/Divulgação/Futebol Americano Brasil

Thomé quer implementar mudanças no programa do Vila Velha Tritões

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Head coach quer retomar o protagonismo do Vila Velha Tritões. Foto Léo Silveira/Divulgação/Futebol Americano Brasil

O Vila Velha Tritões busca trazer novos ares na comissão técnica ao promover Miguel Thomé na posição de head coach. Dedicado a mentalidade defensiva, o treinador terá a missão de auxiliar o programa a deixar de sofrer pontos, algo que prejudicou o rendimento da equipe na disputa da temporada 2019 do Brasil Futebol Americano (BFA), quando anotou o pior rendimento da unidade em toda a sua história.

Saiba como foi a temporada 2019 do BFA

Anunciado oficialmente no início de 2021, Thomé chega para dar a resposta aos Tritões, que sucumbiram aos principais rivais da Conferência Sudeste na temporada de 2019. O fato não desanimou treinador, que decidiu por implementar mudanças estruturais no roster.

Para estimular os novos talentos dentro do programa, o comandante quer usar a experiência como defensive end e long snapper adquiridas na Morton Ranch High School, entre 2010 e 2011, além da participação como tight end no World Develop Team (WDT) da International Federation of American Football (IFAF) de 2014

Confira abaixo a entrevista completa com o treinador.

Futebol Americano Brasil – A minha primeira pergunta é qual a sensação de ter todo o programa dos Tritões sob controle e como lidar com as dificuldades de liderar a equipe da sideline?

Miguel Thomé – O sentimento é de honra. Eu sou dos Tritões há anos e como não posso mais participar dentro de campo, o time confiou a mim a maior responsabilidade tática do time. Eu sinto que tenho os jogadores e a diretoria colaborando comigo. Inclusive para dividir o fardo das dificuldades que são as mesmas de vários times: falta de apoio, campo, pandemia. O time está reunindo regularmente por vídeo conferência e a gente está tentando entrosar o máximo o possível no campo cognato de forma online. Resumidamente estamos “dando nossos pulos”.

FABR – É um tanto incomum no Brasil eleger um head coach vindo da defesa. É mais comum programas promoverem mentes ofensivas para os rosters. Como é ter de lidar com isso, uma vez que outra pessoa fará o playcall quando a unidade de ataque estiver no campo?

Thomé – Eu vim da defesa, mas eu já colaborei muito com o time no ataque, eu tenho muita coisa a passar aos caras da offensive line, uma vez que tive grande notoriedade como center e right tackle. De fato, no Brasil é mais difícil fazer o ataque funcionar do que fazer a defesa não tomar ponto. Eu selecionei o Edwin Muhls e acompanho tudo de perto, e ele é uma aposta minha fora de campo. Pouco sabem dele até hoje, mas muito se saberá num futuro próximo.

FABR – Nas últimas temporadas os Tritões vêm sofrendo um bocado na unidade de defesa com aumento de pontos. Em 2017 foram 57 pontos sofridos. Em 2018 foram 81. E em 2019 foram 130. O pior desempenho do programa em competições nacionais. O que é preciso fazer com que a unidade passe a ter uma performance melhor?

Thomé – Bem os números já me sugerem que algo precisa mudar e isso eu farei. Uma das causas do time ter tomado esse recorde negativo em 2019 eu atribuo a uma previsibilidade da defesa que tem o mesmo look há anos. Então, certamente haverá mudanças nos looks. Além disso, eu aprendi muito nos Estados Unidos e baterei muito na tecla do preparo físico. Não há nenhum esquema tático que resolva um time despreparado fisicamente. No início da década, os Tritões eram referência em preparo físico e a defesa era minimamente vazada.

Deixar de ser previsível

Para 2021, o treinador quer deixar que o Vila Velha Tritões seja previsível para os rivais da Conferência Sudeste e passe a surpreender o adversário com novas formações, passando principalmente pelos corpos de linebackers e defensive backs.

FABR – Falando em mesmo look, de 2017 para cá, o front dos Tritões alternou alguns pacotes, desde formações base 43 (2017), 35 ou 33 stack (2018) e 42 (2019). Mas, todos eles tinham uma coisa em comum: se evitava blitz, enquanto o boundary e field corner normalmente jogavam em soft e zona. Como ter de mexer nesse sistema que os linebackers e secundária estão tão habituados?

Thomé – Por sorte ou azar, o time está passando por uma troca de geração portanto, troca de jogadores. Dessa forma haverá uma chance para usar muitos jogadores novatos e já fazê-lo entender de imediato o que é um run first, spill, force, cutback. E já dando um spoiler: a posição que mais será renovada será a de linebackers. Os três linebackers titulares de 201, Vinícius Campagnoli, João Victor Kopp e eu incluso, estão inativos ou fora do time. Então os linebackers já pegarão um jeitão novo logo de cara. Para eles, não vai sair como mudança e sim como aprendizado. Já os defensive backs, eles são os jogadores mais cascudos e com muito QI de jogo, confio na sagacidade deles de absorver uma mudança e de terem obediência tática.

FABR – E para estes linebackers (Humberto Gomes, Felipe Bicas e Felipe Alvarenga), já é possível ter uma avaliação de como eles absorvem a instalação do novo sistema?

Thomé – Todos agiram positivamente com um novo sistema. Diretoria, jogadores e até o ataque. Acredito que caberá a mim ter a didática de implementar e deixar tudo claro e sem dúvidas. É por isso que eu e Edwin estamos bem empenhados com reuniões teóricas. O bom de lidar com os novatos é a empolgação e um sentimento que todos nós já passamos de que tudo é lindo. Então, quem está começando agora tem muito gás e vontade de tirar dúvidas e mostrar serviço. Essa é a vantagem de lidar com quem começa do zero. Óbvio que nem tudo são flores.

FABR – Ainda sobre os três stater linebackers. Para que os Tritões não fiquem presos a um front com três linebackers, é possivel vermos um deles atuando como EDGE ou rover? A pergunta é voltada justamente porque há uma escassez de formação de jogadores híbridos no Brasil.

Thomé – É sim. Um bom coach defesa consegue fazer um jogador mudar de posição sem que ele perceba. Também mudar um front de over para under, por exemplo, sem que os jogadores se preocupem qual front é. Ou seja, as transições são suaves e céleres. Nesse sentido, o jogador pode muito bem ocasionalmente servir como um EDGE, e talvez ele nem perceba, e ainda assim faz tackle for loss e sacks. Tudo volta para o preparo físico, disputas individuais e agressividade, o jogador que tem esse instinto poderá ser muito bem usado e ele não precisará se preocupar tanto com o nome da posição dele. Isso ficará na minha conta, na conta do coach.

FABR – Referente a tua experiência na Morton Ranch High School. O que já é possível instalar de quesito técnico e tático com o que se aprendeu no exterior? O atual roster permite isso ou veremos uma adaptação para a realidade brasileira?

Thomé – É mais aplicável o quesito técnico. Ou seja, a movimentação e o preparo para batalhas individuais. Fora isso, nós temos que adaptar à realidade brasileira. Óbvio que os conceitos utilizados são tirados das principais fontes do futebol americano que estão nos Estados Unidos. Mas hoje, esse não é um diferencial meu. Qualquer um que entende inglês e consegue ler pode ter acesso.

Como passar a ser recrutador e deixar de perder playmakers

A história mostra que o Vila Velha Tritões é um programa formador, além de ser referência nacional. Entretanto, o exemplo de ser um time vencedor e campeão nacional não impede que jogadores de destaque acabem indo parar em centros metropolitanos e de maior mercado, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Thomé terá a árdua tarefa de estimular que prospectos sigam em Vila Velha e Vitória.

FABR – Os Tritões são um celeiro de playmakers, mas que sofrem com o recrutamento de outros programas, principalmente de rivais do Sudeste. Como gerenciar a formação de jogadores, sem que se tenha a interferência de outras equipes? Pergunto, como manter estes atletas dentro do programa dos Tritões, quando provavelmente receberão ofertas tentadoras de fora do Espírito Santo?

Thomé – Há duas coisas a se fazer em paralelo: a primeira é o time começar a ser um recrutador. A segunda e correr atrás de vantagens para os jogadores que são o podem ser do time. Então, a diretoria está corriqueiramente procurando por parceiros que podem deixar o time oferecer ensino, preparo físico, reabilitação dentre outros. Então, resumidamente, nós estamos buscando os subsídios que fizeram alguns jogadores, eu incluso, a ir para outro Estado para jogar. A diretoria tem as suas estratégias e planos para colocar em ação, ou que já estão sendo colocados para adquirir essa condição de oferecer algo aos jogadores que são e podem ser do time.

Sobre o autor

Henrique Riffel

Jornalista e editor-chefe do Futebol Americano Brasil. Pós-graduado em Jornalismo Digital pela Famecos/PUCRS. Ex-colaborador do Pro Football e American Football International. Antigo produtor multimídia do Locast Project do MIT/EUA
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